Finalmente parei para procurar na internet o novo álbum da banda Fortaleza, Quinta Sinfonia (obviamente por ser o quinto disco), que tem a estreia de Vhiridiana Rentería nos vocais, substituindo Ariana, que integrou a banda em um único disco, o Fortaleza Oculta (2012). Espera-se que a atual vocalista se firme no posto por mais tempo do que a anterior.
Ouvi muito pouco o novo álbum, mas recomendo Sin Decir Adíos, Noveno Vals, Caminos, El Sptimo Sello, Angel Eterno (Version Violin) e La Mulata (Version Violin).
Tracklist:
01-Obertura
02-El Ultimo Suspiro
03-Sín Decír Adíos
04-Noveno Vals
05-Caminos
06-Andante Solitario
07-El Septimo Sello
08-Solamente una vez
09-Voce Forte
10-Fuga En Mi
11-Angel Eterno (Version Violin-Bonus)
12-La Mulata (Version Violin-Bonus)
01. Obertura
02. El Ultimo Suspiro
03. Sin Decir Adios
04. Noveno Vals
05. Caminos
06. Andante Solitario
07. El Septimo Sello
08. Solamente Una Vez
09. Voce Forte
10. Fuga En Mi
11. Angel Eterno (Version Violin-bonus)
12. La Mulata (Version Violin-bonus) - See more at:
http://www.grabalbums.net/997-fortaleza-quinta-sinfona-2014.html#sthash.6g0x9JdW.dpuf
01. Obertura
02. El Ultimo Suspiro
03. Sin Decir Adios
04. Noveno Vals
05. Caminos
06. Andante Solitario
07. El Septimo Sello
08. Solamente Una Vez
09. Voce Forte
10. Fuga En Mi
11. Angel Eterno (Version Violin-bonus)
12. La Mulata (Version Violin-bonus) - See more at:
http://www.grabalbums.net/997-fortaleza-quinta-sinfona-2014.html#sthash.6g0x9JdW.dpuf
Quando escrevi a tradução da Lenda de Tajín esqueci de traduzir a música para os leitores compararem a lenda com a música, portanto, confira a seguir a tradução da música.
Esta música é a última faixa do álbum El Ojo De La Tormenta, de 2010. O último álbum da vocalista Helena. O álbum seguinte (Fortaleza Oculta) contou com Ariana nos vocais. Este ano a banda de Veracruz, no México, lançou este ano seu 5º disco, chamado Quinta Sinfonia, contendo 10 músicas. O novo álbum conta com uma nova vocalista Vhiridiana Renteria. Segue a tradução de Un Nuevo Camino:
Quando escrevi a tradução da Lenda do Jaguar, inspiração para a canção Dime Jaguar da banda Jaguares, que foi gravada originalmente em 1996 e a banda Fortaleza de Vera Cruz, no México, fez um cover numa versão gótica em 2010, esqueci de um detalhe, letra e tradução da música. Confira.
Tradução*
Escondidas
na carne minhas memórias se foram
Em
uma galáxia estranha está seu sorriso
Permaneceram
em uma esfera muito abaixo da terra
Os
demônios continuam em volta dos anciãos
O
campo continua minado e ninguém diz nada
Por
salvar aos cegos
Uma
mulher chorando descobre seus segredos
Jaguar,
diga-me como chegar ao fim
Jaguar,
diga-me como olhar no escuro
Continua
suando frio o veludo dos seus sonhos
Afundado
no esquecimento seus instintos se perderam
Uma
veia se abre para o horizonte dos seus dias
Jaguar, diga-me como chegar ao fim
Jaguar,
diga-me como olhar no escuro
Olhe
as minhas mãos Jaguar e não as poderá ler
Já
não existem linhas, o meu limite se desenrolou
Diga-me
Jaguar, quando não vou vê-lo novamente
Te
esperarei nos cumes do vazio
E
brincarei, e brincarei sempre ao seu lado
Jaguar,
diga-me como chegar ao fim
Jaguar,
diga-me como olhar no escuro
Letra**
Ocultos en la carne se quedaron mis recuerdos En una galaxia extraña está tu sonrisa Se quedaron lejos en una esfera bajo la tierra Los demonios siguen correteando a los ancianos El campo sigue minado y nadie dice nada Por salvar a los ciegos Una mujer llorando se descubre sus secretos Dime jaguar como llegar hasta el final Dime jaguar como mirar en la oscuridad Sigue sudando frío el terciopelo de tus sueños Hundidos en el olvido se perdieron tus instintos Una vena se abre en el horizonte de tus días Dime jaguar como llegar hasta el final Dime jaguar como mirar en la oscuridad Mira jaguar mis manos ya no las puedes leer, Ya no hay líneas mi límite se desdobló Dime jaguar cuando vuelva a no verte Te esperaré en los cuernos del vacío Y brincaré, y brincaré siempre a tu lado Dime jaguar como llegar hasta el final Dime jaguar como mirar en la oscuridad Dime jaguar como llegar hasta el final Dime jaguar como mirar en la oscuridad
Na cultura asteca, o jaguar teve uma grande influência. O denominavam como "Ocelotl*", que consideravam como rei dos animais. Em
Tenochtitlán os líderes militares de maior patente, os guerreiros mais
importantes e ferozes vestiam capas, artefatos e máscaras feitas de plumas e
pele de jaguar sendo chamados de cavalheiros jaguar, cujo título seria
"Tlacochcalcatl", chefe de casa de armas. Os Imperadores Astecas não
só se adornavam com capas, sandálias e usavam insígnias feitas de jaguares;
tinham também o privilégio exclusivo de utilizar nos tronos, tapetes e cortinas
feitos de pele de jaguar, tudo isso como símbolo de autoridade.
Para os
Astecas o jaguar foi o disfarce de Tezcatilipoca, o deus responsável por guiar Quetzcóatl,
a serpente emplumada que ensinou e introduziu a prática de sacrifícios humanos.
Na
mentalidade asteca, a águia é também espírito irmão jaguar. Ambos são
protetores dos poderes guerreiros terrestres. O animal envidraçado de manchas
preside uma das irmandades secretas da cavalaria asteca, enquanto que a outra é
regente pela presença senhorial da ave do bico adunco. Ao mesmo tempo, no trono
cerimonial do monarca asteca, este se sentava sobre plumas de águia e dispunha
sobre suas costas de um retalho manchado de pele de jaguar.
Na cultura
Maia, o jaguar foi chamado Balaam ou Chac e era símbolo de poder. Pessoas que
usavam roupas de jaguar eram pessoas com autoridade na sociedade, geralmente
representado nos códices**. O Deus Sol se transformava em jaguar para viajar a
noite pelo mundo dos mortos.
A pele com
manchas deste belo felino representava as estrelas. As ruínas Maias de Yucatán
produziram elaboradas imagens do jaguar. Para os Maias, o sol jaguar dominava a
noite e o dia, o sol jaguar lutava ao entardecer com Xilbalban (o submundo)
durante a noite, vencendo-o e saindo uma vez mais no dia seguinte.
Uma
história Maia fala que o final da terra virá quando os jaguares ascenderem do submundo
para devorar o Sol e a Lua e talvez o universo... e um eclipse é um sinal do
evento final.
*Existe uma banda chamada Ocelotl que tem canções sobre os povos astecas. Este blog já divulgou o somda banda.
**Códices Maias são livros dobráveis produzidos pela civilização pré-colombiana. Os textos eram produzidos em papel oriundo de cascas de espécies de figueiras. Códice é uma palavra oriunda do latim, significando livro ou bloco de madeira. Os maias os chamavam de huun no idioma deles. Os Astecas, no seu idioma nauatl, chamavam os códices de amatl.
Disco: Una
Luz Entre Las Sombras (Uma luz entre as sombras)
Após pouco
mais de um ano e meio, quando escrevi a primeira parte de "Fortaleza e
suas canções inspiradas em personagens, histórias e lendas do México"*,
resolvi traduzir (tentar traduzir) outra lenda que inspirou uma bela canção da
banda. Trata-se da Lenda de Tajín.
Antes de
começar a traduzí-la diretamente do site oficial da banda, é necessário tentar
esclarecer o que é Tajín. Segundo tentei apurar no site do Instituto Nacional
de Antropologia e História - INAH (México) e na Wikipedia, El Tajín é a cidade
pré hispânica mesoamericana mais importante da costa norte de Veracruz. É o
maior sítio arqueológico da região, com grande acervo da cultura asteca e de
povos pré invasão espanhola. Tajín é a cidade sagrada do povo Totonaca,
considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Também é o nome do personagem da lenda Tajín y los siete trueños.
*Até então não havia planos para que se tornasse uma série de postagens sobre o tema, mas comecei a ler os posts antigos do blog e me deparei com este, que considero ter a influência de um bom acervo de lendas mexicanas. Junte-se a isto o fato de eu estar tendo aulas de espanhol e a tradução dessas lendas ser uma boa maneira de praticar.
La Leyenda del Tajín
A Lenda do antigo trovão foi escutada pelo etnólogo Roberto Williams Garcia, dos lábios de um ancião totonaco que vivia em uma colina com vista para a Pirâmide dos Nichos, na zona de Tajín, sendo publicada em 1954 na revista "Tlatoani".
Na congregação de Tajín, os totonacos relatam a existência de um ser sobrenatural, o antigo trovão, que permanece acorrentado no fundo do mar e cujos seus rugidos roucos começam a ser escutados desde o mês de junho, prolongando-se por julho até agosto.
O personagem era um órfão vagante. Em certa ocasião, seus olhos maravilhados viram um machado que, por próprio impulso, cortava lenha e seguidamente eles se uniram transformando-se em uma ferramenta. O menino seguiu o caminho e assim chegou a uma casa que era a Pirâmide dos Nichos, onde viviam 12 homens idosos, que eram os senhores do trovão, eles tomaram o órfão como servo, Talinmaxka ou Limaxka no idioma totonaco, recomendando-lhe que seguisse suas ordens.
Uma vez, quando os anciões se preparavam para sair para seus trabalhos, o órfão viu como tiravam suas vestimentas de dentro de um baú: a roupa do furacão. Ele saiu de casa usando a roupa e imediatamente provocou um furacão que começou a destruir tudo; as árvores desmoronaram, e cabanas caíram. Os senhores do trovão,ao se darem conta da situação, perseguiram o causador do tumulto, lançando montanhas de nuvens para capturá-lo, levando muito tempo para conseguir, porque o menino sempre escapava.
O menino foi levado para o mar, onde foi submetido e acorrentado para não se mover. Dizem que os roucos rugidos ocorrem por ele perguntar quando é o seu dia santo, mas os senhores do trovão o enganaram dizendo que era uns dias antes ou depois da data verdadeira: 24 de junho. Se abstiveram de dizer o dia certo pois pensavam que o garoto provocaria uma tremenda inundação que acabaria com o mundo.
No monumento de entrada a zona arqueológica de Tajín, em 1992 ficou representada esta lenda graças à habilidade do escultor Teodoro Cano.
Fiquei sabendo há alguns minutos pelo Facebook da banda, onde compartilharam um vídeo de uma gravação do quinto álbum da banda, já com nova vocalista que se chama Luba. Confira o vídeo:
No dia 18 de fevereiro a banda Fortaleza lançou o vídeo da segunda música de trabalho do disco Fortaleza Oculta, lançado no segundo semestre do ano passado. Pra ser sincero (plagiando HG), achei o clipe bem tosco, mas vale a pena ver pra conhecer a música (o ideal é colocar o vídeo pra tocar e ir "mexer" no Facebook, ou fazer qualquer outra coisa). Dulce Agonia é a quarta faixa do novo disco, confira o clipe a seguir.
O primeiro single foi Ninguna Eternidad Como la Mía, que teve o clipe lançado em novembro do ano passado.
Eu já tinha lido na internet que algumas canções da banda e seus discos são inspirados em lendas, histórias e personagens mexicanos, mas não as conhecia. Por volta do segundo semestre do ano passado, possivelmente após a saída de Helena e outros integrantes, o site da banda foi reformulado e passou a disponibilizar as histórias que inspiraram as composições da banda de Vera Cruz. O intuito disso, como está escrito no site ("México es un lugar espectacular y lleno de magia, los invitamos a conocerlo"), é fazer com que os fãs de outros países tenham interesse em conhecer o México e sua cultura.
O site da banda é http://www.fortalezaoculta.com/Pagina/inicio.html. As histórias que serviram de inspiração para os integrantes da banda Fortaleza estão no menu "México Mágico" (http://www.fortalezaoculta.com/Pagina/mexico.html), as canções são: La Condesa (que eu traduzi e coloquei mais abaixo neste post), La Mulata (La Mulata de Cordoba), La Leyenda del Tajin, La Bruja (El son de la bruja), Cerca de la media noche (El Callejon de Líbranos Señor), Dime Jaguar - Jaguares e Arrancame La Vida, canção que encerra o último disco da banda.
No principio do século XX, na
cidade de Vera Cruz, chegou ao povoado com muitos luxos uma mulher lindíssima e
com classe. Nunca se soube a origem dessa estranha mulher, as pessoas sabiam
que o marido era um conde da coroa espanhola e que o lugar onde viviam era uma
imensa mansão com requintes de palácio real, e nessa velha construção, para
além dos quartos sujos que ele tinha, existia um poço enorme que abrigava
grandes lagartos no fundo que eram alimentados com cachorros e gatos vivos, carne
bovina e suína, além de "aves de corral" (aves domesticadas usadas na
alimentação - carne e ovos - ex.: galinhas, patos, gansos, etc.). Essa mulher,
que passou a ser chamada de Condessa de Malibrán, sofria muito porque mesmo
sendo casados há muito tempo ela seguia sem poder ter filhos. Corria um boato
no povoado sobre uma bruxa que praticava magia negra e vivia em uma casa
rodeada de pântanos e areia. De sua casa emanavam odores nauseantes e as
pessoas não andavam por ali, exceto a Condessa de Malibrán que ia pedir-lhe o
favor de acabar com a maldição de não poder ter filhos.
Apesar de sua tristeza esta
bela mulher desfrutava da solidão que seu marido a deixava em longos períodos
por motivo de trabalho, acompanhada por vários homens a cada dia que foram do
seu agrado. Como sempre chegavam à Vera Cruz embarcações de todas as partes do
mundo, e naquela época sempre havia alguém que agradava à Condessa e ela os
convidava ao seu palácio porque ela organizava festas suntuosas que terminavam
ao amanhecer, ao final da festa todos saíam contentes pela grande diversão que
haviam gozado e tudo voltava ao silêncio, os portões do palácio eram fechados
restando apenas o convidado da condessa para que fizesse companhia a esta.
Contudo seus acompanhantes não voltavam a ser vistos.
A Condessa seguia frequentando
a bruxa para implorar que acabasse com a maldição de não ter filhos; e a bruxa,
com gestos suplicantes, seguia perguntando as forças do mal o motivo da mulher
não poder ter filhos, depois de tanta suplica maligna, em pouco tempo a
condessa deu a luz a um monstro, que o simples fato de o ver a aterrorizava,
era totalmente deformado, mas apesar de tão cruel e infame castigo, a condessa
continuava convidando os jovens que a simpatizavam, para passar noites
românticas com eles.
Tempos depois, em uma noite
fria e úmida, o esposo da condessa chegava em sua casa, quando viu o criado,
sua surpresa foi grande, pois nos braços segurava alguma coisa enrolada, era o
filho da condessa, correu para reclamar-lhe quando a encontrou com um jovem nos
seus aposentos, cheio de raiva, a mulher se viu atacada, seu rosto tornou-se áspero,
pois tinha tomado a fisionomia da bruxa que visitava, seu aspecto era
horripilante, sua cara estava cheia de grandes rugas, seus caninos ressaltavam
horrorosos, o conde sentiu medo, sacou sua espada e repousou-a no coração da sua amada, e
também no do jovem que a acompanhava. O criado imediatamente o contou tudo o
que ela fazia, convidando o conde para jogar os corpos, onde ela jogava seus amantes, no poço dos lagartos. Uma horrível risada acompanhada de lamentos longos pode
ser ouvida no triste e sombrio palácio, estendendo-se por todo o campo de Vera
Cruz.
Diz a lenda que o conde enlouqueceu e era visto
pelas ruas do povoado gritando fortemente, justiça, justiça e que morra a
condessa de Malibrán, seus gritos, soavam segundo os moradores locais, como
fortes gritos de animais selvagens em volta da presa.
Finalmente encontrei o mais novo disco da banda de Vera Cruz, no México, Fortaleza. Graças à Sharina16, uma amiga minha do LastFM.
Eu já tinha visto o clipe do single deste novo disco no Youtube e, não havia curtido muito. Porém fiz o download do cd ontem e acabei gostando do novo trabalho. Sons de violino continuam presentes nas músicas do Fortaleza, mesmo com a mudança na formação, a mudança mais sentida foi a da vocalista Helena por Ariana, que apesar de eu gostar da primeira, a segunda me surpreendeu positivamente.
A faixa que mais gostei foi Arrancame La Vida (que encerra o disco), pois tem uma levada tipo tango. Ficou bem interessante.
Confira o clipe oficial de Ninguna Eternidad como la Mia:
FORTALEZA: Voz de los rumores que inundan la Villa Rica
Traduzido por: Eu ora! Por isso ficou péssima a tradução...
O México entende as guerras. Entendem de conquistas, invasões, e das implicações que tolera enfrentar o panorama eminente. Se existe um lugar em todo o México que conhece a sensação de ver enaltecido suas origens e sua segurança, esse lugar é Veracruz: território por onde penetraram os conquistadores espanhóis a mais ou menos 500 anos, e que além disso foi o cenário de batalhas sangrentas contra tropas francesas e americanas. Impossível extirpar da memória de um povo as histórias de valentes guerreiros que apesar de tudo defenderam nobremente sua região. Passaram-se séculos desde aquelas vitórias e ainda hoje são fontes de inspiração para criar e narrar histórias fantásticas, e é lógico que cada um escolhe contá-las a sua maneira: alguns preferem inclinar-se pelo lado puramente bélico dos acontecimentos e abominar dos intrusos o sonoro rugir do canhão. Outros se inclinam pelo romantismo subjacente da epopéia, por resgatar os triunfos da façanha heróica e divulgá-los com a certeza de quem conhece as bondades do multiculturalismo, ainda que sem passar por alto os derramamentos de sangue. Algumas pessoas tomar eventos passados e sublimá-los em Fortalezas.
Fortaleza é justamente o nome de uma banda veracruzana que desde 2003 se embarcaram na missão de dar voz aos sussurros que inundam Villa Rica. Seu veiculo: o metal melódico. É fácil deixar-se levar pela tentação de subir a Fortaleza ao navio do metal gótico, pois como muitas bandas do gênero, também contam com uma vocalista e incluem na sua música instrumentos clássicos. Mas basta aguçar o ouvido para notar imediatamente que Fortaleza navega por oceanos mais extensos: ondas de Power metal, marejadas de Heavy ou arrecifes de neoclassicismo se somam as influencias escuras, e juntos formam melodias que compartilham com o vaivém do mar que pode balançar com harmonia ou agitar liberando sua força majestosa. Não é simples definir onde está a marca registrada da banda: talvez seja o violino dos matizes distintos, ou suas letras que lidam com os temas mencionados no primeiro parágrafo e se alimentam de lendas coloniais, batalhas épicas, romance, literatura e harmonia com a natureza, ou talvez a voz viva que relatou a aventura em seus três álbuns de estúdio até agora: doce, mas com força suficiente; de tendências de opera , apesar de moderada, poderosa, mas prudente. Ou talvez tentar um todo que é muito mais do que a soma de suas partes planas.
Primeiro veio “La fortaleza de la soledad” em 2008: um álbum breve, de só sete canções. Tratava-se de uma pequena mostra, mas havia temas interessantes de se analisar. Mesmo que ao ouvir pela primeira vez o disco mostra elementos já presentes em muitas outras bandas com tendências épicas (cavaleiros, espadas, armaduras), o detalhe que permite diferenciar das outras bandas deste estilo está na faixa 6: uma música intitulada “Cerca de la media noche” cujo a letra se baseia na lenda do Callejón de Libranos Señor. Também encontramos referencias literárias em “Fausto”, tema alusivo a obra homônima de Goethe. A voz de Helena, a vocalista, parece frágil quando deve parecer, mas ganha uma força desafiante em peças mais velozes como em “Caballero de honor”. Repito, trata-se de um disco de curta duração mas sem dúvida alguma é uma estréia interessante de escutar.
Apenas um ano depois o crescimento da banda já era notado. Os propósitos de Fortaleza eram sérios e seu trabalho mostrava qualidades para sustentar-se por seus próprios pés em uma cena onde tudo parece soar igual. “Uma Luz entre Las sombras” chegou as lojas em 2009 envolto em um cuidadoso formato slip-case (é o termo usado para a proteção do CD, DVD ou BOX feita de papelão, que você puxa o CD de dentro): a arte do disco foi criada por Helena e dava conta de um ótimo gosto estético. Mas a melhor parte é que este álbum também é um deleite musical: o caminho iniciado por sua obra anterior robustece aqui com um bom senso mais inspirado e incomum para uma banda tão jovem. A energia das guitarras estão ali, mas não temem dividir o espaço com os teclados e o violino, que acompanham todas as canções do disco. As letras mantém uma ligeira aura poético-românticas, desta vez ao adicionar conteúdos relacionados à natureza, também revelam o interesse do grupo pelas mais diversas manifestações culturais: inclui um cover para um tema do espetáculo “Quindam” do Cirque de Soleil (“Seisouso” do compositor canadense Benoit Jutras) e outro “Dime jaguar”, do singular Saúl Hernadez (o qual não deve ser uma mera questão de gostos musicais, porque lembro que o jaguar era um dos principais animais sagrados da cultura Olmeca junto com os Totonacas e Huastecos se instalaram na região onde hoje está Veracruz). Claro, a lenda continua, desta vez representada em “La Mulata” (com piano e violino em harmonia) e “La leyenda Del Tajin”, este último inspirado em um mito Totonaca.
E como parece que esta banda não se cansa de trabalhar, em 2010 novamente estavam presentes com sua obra mais ambiciosa até agora: o sensacional “El ojo de la tormenta”. É que o disco em questão soa exatamente isso: uma concentração de forças reunidas em um só lugar, que vão mudando para latitudes diferentes, arrastando a tempestade que se vai ouvir. Um só violino não era suficiente, desta vez, de modo a representar a tempestade o grupo é acompanhado neste trabalho por uma seção de cordas, além de duas sopranos e um tenor. Aqui estão um dos temas mais agressivos de Fortaleza (“El eco Del miedo”, por exemplo), mas também encontrar experiências como a reinvenção que fazem ao som de “La Bruja”, e a fascinante canção que construíram baseado numa peça e que leva o título “La Condesa”, uma jóia de mais de seis minutos que constitui uma autentica apropriação do metal integrado com as raízes musicais jarochas. É verdade que outras bandas de metal no México e na América Latina já experimentaram sons “indígenas”, mas na maioria das vezes são instrumentos de percussão e instrumentos de sopro acompanhados de sons mais extremos: e o que Fortaleza faz é tomar um requinto e uma farra, e a partir dos padrões tradicionais do som jarocho, elaborar uma canção de metal, que não menos importante, incluiu em sua letra trechos de Jaime Sabines e Pablo Neruda. Sem medo de me equivocar diria que “La Condesa” é o mais perto que esteve o metal mexicano (pelo menos na sua vertente mais melódica) para ter uma verdadeira identidade (Anabantha tentou fazê-lo em seu recente “Hermanos de Sangre: El ritual”, mas sem atingir os níveis de refinamento alcançados por Fortaleza). E para coroar o número, um belo vídeo clipe com uma coreografia esquisita> Mas não pense o leitor que este é o único momento interessante de “El ojo de la tormenta”, pois como já foi dito, trata-se de seu álbum mais ambicioso: Helena brilha como nunca, com maiores nuances em sua voz que acompanham a perfeição a idéia de estar de estar dentro de uma tempestade que varia sua magnitude até amansar pacificamente na última canção do CD: uma luminosa balada “Un nuevo camino”.
E como se fosse uma profecia descendente da mitologia olmeca, as últimas linhas da última música do terceiro álbum marcam o fim de uma era em Fortaleza. No tema mencionado Helena setencia: "y con esta canción hoy me estoy despidiendo" (e com está canção, hoje me despeço), e coincidentemente assim foi. Em julho deste ano o anuncio oficial foi feito: a jovem cantora não faz mais parte de Fortaleza. Evidentemente as reações não foram agradáveis como era de se esperar, e se intensificaram depois de um segundo comunicado em que a banda apresentava sua nova vocalista, Ariana. É claro que não faltou quem tentasse fazer disso uma versão mexicana do caso Nightwish Tarja-Anette, e embora este humilde escritor acredite que é completamente fora do lugar, que é um fato que muitos perderam Helena. No entanto, julgar sem conhecimento não é um dos meus hábitos pessoais, então pro enquanto eu acho que a paciência é uma virtude que os fãs da banda devem ter. Da minha parte, estou ansioso em escutar a nova vocalista e ver qual será o próximo passo que dará Fortaleza, pois se tem uma coisa que eles mostraram ao longo da sua história é que são uma banda em constante evolução. O tempo saciará nossa curiosidade. Helena nos deixou um belo testemunho que ficou registrado em três discos maravilhosos, e Ariana está por escrever suas próprias páginas no próximo capitulo da banda. És bem vinda.