quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

"Faxina social" chega aos novos estádios brasileiros


Estamos a pouco mais de um ano da Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil. E a higienização social que está sendo feita, aproveitando a desculpa das obras de mobilidade urbana, já está chegando aos estádios, uma vez que dois dos estádios que serão sede da Copa foram inaugurados recentemente, Castelão e Mineirão.

www.unilab.edu.br
Os estádios de futebol sempre foram os locais mais democráticos no mundo, principalmente no nosso país, onde a arquibancada era o único lugar onde pessoas de diferentes etnias e classes sociais tinham duas horas de interesse comum, torcendo pelo mesmo clube.

www.copa2014.gov.br
Infelizmente isso está mudando, pois as chamadas arenas, que em sua maioria estão/foram construídas com dinheiro público, não tem/terão setores reservados para as classes mais pobres da sociedade brasileira. Os ingressos para os jogos dos novos Castelão e Mineirão estão com preços mínimos na faixa de R$ 40,00 a R$ 60,00, bem mais caros do que o cinema, além de não levarem em conta os gastos com transporte e alimentação (o torcedor pode querer fazer um lanche no intervalo e os lanches nesses lugares são sempre mais caros do que nas ruas).

A desculpa para as reformas e construções de novas arenas milionárias é a de que o torcedor merece mais conforto, pena que não foi isso o que vimos na reinauguração do Mineirão, onde os torcedores foram desrespeitados até na venda de ingressos, desorganização nas imediações e na entrada dos torcedores no estádio, não havia nem água.



A tendência é que o esporte mais popular do país vire um programa para a elite. Nossos estádios vão virar teatros e continuaremos tendo médias de público menores do que as da MLS (Major League Soccer - a liga norte-americana do esporte mais popular do Brasil).

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