quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Meu critério para votar no segundo turno

Fontes: http://epoca.globo.com/tempo/eleicoes/o-filtro/noticia/2014/09/principais-noticias-eleitorais-do-dia-11-de-setembro-de-2014.html e http://noticias.uol.com.br/erratas/2011/02/28/uol-economia-banco-lucra-quase-o-triplo-no-governo-lula-em-relacao-a-fhc-diz-consultoria.jhtm



É sério que teve eleitor achando que acabaria com a corrupção votando no Aécio? Pensaram que seria a escolha da "mudança" e que evitariam uma "Ditadura Comunista"? Segundo turno foi o voto do menos pior.

Alguns quiseram combater a "corrupção do PT" votando num partido que ficou famoso no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 pela figura do "egavetador geral da união". Viveríamos numa falsa extinção da corrupção, quando na verdade os casos estariam sendo abafados ou engavetados.

Essa "mudança" representava a eleição de um partido envolvido em mais casos de corrupção do que o PT (pelo menos em dinheiro público roubado), o partido das privatizações com promessas de melhora nos serviços (não precisa muito para compreender que os serviços de telefonia não melhoraram como o prometido, continuamos sendo desrespeitados como consumidores), se ao menos vendessem pelo que as estatais realmente valiam, mas não, sempre venderam a preço de banana.

Como pode um partido que vai "implantar uma Ditadura Comunista" fazer os bancos lucrarem como nem no governo FHC lucraram? Nunca um governo foi tão bom para a especulação imobiliária. Que partido comunista é esse que não consegue nem fazer Reforma Agrária? Tem alguma coisa errada nessa teoria.

A derrota do PSDB pode ser bom para Barbacena. Enfraquecendo a força política dos Andradas no próprio partido e consequentemente na política nacional e local. Os resultados mostram que eles não têm mais a mesma força sobre o feudo eleitoral. O único problema é a provável vingança que o prefeito deve fazer contra a cidade, não organizando a exposição dos próximos anos e o carnaval, além de não fazer as obras necessárias na periferia da cidade. Mas isso só provará que ele não merece o voto dos barbacenenses.

A mudança que muitos desejam não estava representada nos candidatos que chegaram ao segundo turno. Ela morreu no primeiro turno. O segundo turno, infelizmente, foi da escolha do menos pior. Acho que os que ainda tentaram escolher uma mudança ficaram representados na abstenção (pouco mais de 30 milhões), nos votos nulos e brancos (pouco mais de 7 milhões), que foram 26,10% do eleitorado brasileiro, são os únicos que preferiram não apoiar um  partido corrupto. Não os condeno. Acho até que foram mais coerentes do que eu.

A vitória apertada do PT significa que precisam trabalhar muito para tentar apagar as manchas da corrupção que encobrem o que fizeram de bom. Pelo bem do país espero que tenham entendido o recado das urnas. Para quem votou no PSDB dizendo que estava combatendo a corrupção, espero que deixem de lado o preconceito contra os nordestinos e essa ideia torta de "PT comunista" e sejam cidadãos de verdade, cobrando o quanto cobram do PSDB o tanto de honestidade que cobram do PT. É muito fácil apontar o dedo na sujeira do outro e jogar a sua para debaixo do tapete e ficar arrumando as desculpas mais esfarrapadas para a corrupção do PSDB. A corrupção não é exclusividade de um partido ou de outro, ela está impregnada em todos ou quase todos. Precisamos de uma reforma política para combater isso. Precisamos também de eleitores que fiscalizem os eleitos, mesmo não tendo contribuído para a eleição deste ou daquele político, afinal, nossos impostos bancam todos eles.

Nossa tarefa de cidadão não acabou no dia 26 de outubro. Ela continua com a cobrança e fiscalização de todos os eleitos.

O porta dos fundos representou bem meu sentimento ao votar no segundo turno:
https://www.youtube.com/watch?v=AiQMUhBPjTk&feature=youtu.be 


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Documentário: Cabra marcado para morrer (1984 - Eduardo Coutinho)


Segue um breve texto sobre a sinopse deste documentário:

Trecho do Texto de Maria do Rosário Caetano para o Brasil de Fato

Tragédia política e familiar
Eduardo Coutinho conheceu Elizabeth Teixeira em 1962, quando, a convite da UNE Volante (braço cultural do CPC-UNE – Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes), foi ao Nordeste realizar documentário sobre movimentos organizados de trabalhadores. 
Voltou para o Rio de Janeiro fascinado pela história da viúva do líder camponês, mãe de vasta prole. Escreveu, então, o roteiro de Cabra Marcado para Morrer
No começo de 1964, foi com sua pequena equipe (na qual estavam o fotógrafo Fernando Duarte e o assistente de direção Vladimir Carvalho) para Sapé. Lá, mobilizou camponeses como “atores” de seu filme. 
Dona Elizabeth interpretaria a protagonista feminina, a viúva do líder assassinado pelo latifúndio. Ou seja, ela mesma. João Mariano, o único de fora da Liga de Sapé, interpretaria João Pedro. Quando as filmagens estavam para começar, um conflito por terras antagonizou trabalhadores e proprietários, deixando saldo de muitos mortos. 
Coutinho e sua equipe viram que ali, na paraibana Sapé, seria impossível filmar a história de João Pedro Teixeira. Procurou, então, locações em Pernambuco, junto à Liga Camponesa de Galileia, na região de Vitória do Santo Antão. 
Em março de 1964, as filmagens engrenaram. Só que no dia 31, com o triunfo do golpe militar, o pior aconteceu. A equipe de filmagem, vista como extensão da subversão cubana no Nordeste brasileiro, passou a ser perseguida. Coutinho e equipe fugiram para o Rio. A câmera de filmagem foi escondida sob uma pedra, em Galileia. Quando descoberta, oDiário de Pernambuco a enumerou como parte do “arsenal bélico” dos subversivos que doutrinavam os camponeses em nome do comunismo. 
Salvaram-se, daquelas primeiras semanas de filmagem, apenas os negativos da trama ficcional, pois, encontravam- se em laboratório de revelação, no Rio de Janeiro. 
Com o triunfo do golpe, dona Elizabeth passou oito meses presa. Parentes dela e de João Pedro Teixeira (avós e tios) dividiram os nove filhos do casal. Nove, porque dois deles, naquela altura, já estavam mortos. Uma, Marluce Teixeira, tomara arsênio, meses depois da morte do pai (ainda em 1962). Outro fora vítima de um tiro na testa. Dona Elizabeth nada mais soubera do destino deste filho, se morrera, se sobrevivera. No filme, vemos foto dele com um balaço no meio da testa. 
Epopeia camponesa
Em 1981, Eduardo Coutinho resolveu retomar, em registro documental (pois o Cabra original era uma ficção baseada em fatos reais), a épica das Ligas Camponesas, centrada na história de dona Elizabeth, seus filhos e nos lavradores de Sapé. Regressou ao Nordeste. 
Encontrou dona Elizabeth vivendo, na clandestinidade, na cidade de São Rafael, no Rio Grande do Norte. Numa das mais belas cenas do filme – lançado no 20º ano do golpe militar de 1964 – vemos a viúva de João Pedro, sob o nome falso de Marta Maria da Costa, lavando roupa num rio pedregoso, junto com dezenas de mulheres. Com ela, apenas um dos nove filhos restantes (Carlos, o caçula, que tinha dois meses quando o pai foi assassinado). 
Além de dona Elizabeth, alma do filme, Coutinho localizaria e ouviria oito dos filhos dela, espalhados pelo Nordeste, pela Baixada Fluminense e, um deles, Isaac, estudando Medicina em Cuba. 
Abrahão, o mais velho, jornalista em Patos, na Paraíba, imporia condições para que o filme fosse feito e tentaria controlar o discurso da mãe. 
Marta Teixeira, a filha mais velha, estaria em seu ofício profissional, o balcão de um bar, na periferia do Rio de Janeiro. 
Marinês, que aos 12 anos deixara a casa dos avós para tomar conta dos filhos de Marta, aparecia já moça feita. 
Nevinha (Maria das Neves) mostraria a filha pequenina, de nome Juliana Elizabeth Teixeira. 
José Eudes trabalhava numa firma no Sudeste e via o cineasta e sua equipe com desconfiança. 
Peta, criado pelo avô materno, Manoel Justino, parecia tão desconfiado quanto o velho, ágil e operoso, aos 83 anos. Nenhum dos dois parecia interessado em relembrar o passado. 
Carlos, o caçula, o único que viveu com a mãe na clandestinidade potiguar acompanhava os depoimentos de dona Elizabeth com brilho nos olhos. Nada lembrava do pai, pois era um bebê quando ele fora assassinado. 
José Eudes, no Cabra, evocava um irmão, de nome Paulo, que seria “motorista numa firma” e que “era muito revoltado com tudo que acontecera à família e bebia muito”. Nada mais saberíamos de Paulo. 

Íntegra do documentário no youtube



Como ficou a cidade de São Rafael após a conclusão do projeto da barragem

São Rafael, no Rio Grande do Norte é a cidade onde Eduardo Coutinho entrevista Elizabeth em 1682. A cidade estava prestes a ser inundada para a construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves e já no fim do documentário os camponeses reclamam do pequeno valor de indenização que o governo prometia em contra partida. Seguem dois vídeos sobre "A Atlântida do Sertão", apelido dado pelo poeta rafaelense Arleno Farias. O primeiro mostra como a cidade era antes e a nova cidade sendo construída. O segundo é um trabalho de TCC de um universitário local.





O Diretor

Nasceu na capital do Estado de São Paulo em 11 de maio de 1933 e morreu assassinado pelo filho em 02 de fevereiro de 2014. Dirigiu vinte filmes, sendo a maioria documentários. Segue a lista:

Direção


Ano
Título
Atividade
Notas dos leitores
2014A Família de Elizabeth TeixeiraDiretor
 
2014Sobreviventes de GalileiaDiretor
 
2011As CançõesDiretor
  3,1
2010Um Dia na VidaDiretor
 
2009MoscouDiretor
 
2007Jogo de CenaDiretor
  3,5
2005O Fim e o PrincípioDiretor
  3,2
2004PeõesDiretor
  3,1
2002Edifício MasterDiretor
  3,3
2000Babilônia 2000Diretor
 
1999Santo ForteDiretor
 
1996Mulheres no Front (curta-metragem)Diretor
 
1995Seis Histórias (Média-metragem)Diretor
 
1994Os Romeiros do Padre Cícero (Média-metragem)Diretor
 
1992Boca de Lixo (Média-metragem)Diretor
 
1991O Fio da MemóriaDiretor
 
1989Volta Redonda - Memorial da Greve (Média-metragem)Diretor
 
1987Santa Marta - Duas Semanas no Morro (Média-metragem)Diretor
 
1984Cabra Marcado Para MorrerDiretor
  3,5
1971FaustãoDiretor
 
1968O Homem Que Comprou o MundoDiretor
 
1966ABC do AmorDiretor
 



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