quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Fortaleza e suas canções inspiradas em personagens, histórias e lendas do México

Eu já tinha lido na internet que algumas canções da banda e seus discos são inspirados em lendas, histórias e personagens mexicanos, mas não as conhecia. Por volta do segundo semestre do ano passado, possivelmente após a saída de Helena e outros integrantes, o site da banda foi reformulado e passou a disponibilizar as histórias que inspiraram as composições da banda de Vera Cruz. O intuito disso, como está escrito no site ("México es un lugar espectacular y lleno de magia, los invitamos a conocerlo"), é fazer com que os fãs de outros países tenham interesse em conhecer o México e sua cultura.

O site da banda é http://www.fortalezaoculta.com/Pagina/inicio.html. As histórias que serviram de inspiração para os integrantes da banda Fortaleza estão no menu "México Mágico" (http://www.fortalezaoculta.com/Pagina/mexico.html), as canções são: La Condesa (que eu traduzi e coloquei mais abaixo neste post), La Mulata (La Mulata de Cordoba), La Leyenda del Tajin, La Bruja (El son de la bruja), Cerca de la media noche (El Callejon de Líbranos Señor), Dime Jaguar - Jaguares e Arrancame La Vida, canção que encerra o último disco da banda.


Confira a seguir a tradução da lenda de "La Condesa de Milabrán".

La Condesa
Disco: El ojo de la tormenta

No principio do século XX, na cidade de Vera Cruz, chegou ao povoado com muitos luxos uma mulher lindíssima e com classe. Nunca se soube a origem dessa estranha mulher, as pessoas sabiam que o marido era um conde da coroa espanhola e que o lugar onde viviam era uma imensa mansão com requintes de palácio real, e nessa velha construção, para além dos quartos sujos que ele tinha, existia um poço enorme que abrigava grandes lagartos no fundo que eram alimentados com cachorros e gatos vivos, carne bovina e suína, além de "aves de corral" (aves domesticadas usadas na alimentação - carne e ovos - ex.: galinhas, patos, gansos, etc.). Essa mulher, que passou a ser chamada de Condessa de Malibrán, sofria muito porque mesmo sendo casados há muito tempo ela seguia sem poder ter filhos. Corria um boato no povoado sobre uma bruxa que praticava magia negra e vivia em uma casa rodeada de pântanos e areia. De sua casa emanavam odores nauseantes e as pessoas não andavam por ali, exceto a Condessa de Malibrán que ia pedir-lhe o favor de acabar com a maldição de não poder ter filhos.

Apesar de sua tristeza esta bela mulher desfrutava da solidão que seu marido a deixava em longos períodos por motivo de trabalho, acompanhada por vários homens a cada dia que foram do seu agrado. Como sempre chegavam à Vera Cruz embarcações de todas as partes do mundo, e naquela época sempre havia alguém que agradava à Condessa e ela os convidava ao seu palácio porque ela organizava festas suntuosas que terminavam ao amanhecer, ao final da festa todos saíam contentes pela grande diversão que haviam gozado e tudo voltava ao silêncio, os portões do palácio eram fechados restando apenas o convidado da condessa para que fizesse companhia a esta. Contudo seus acompanhantes não voltavam a ser vistos.

A Condessa seguia frequentando a bruxa para implorar que acabasse com a maldição de não ter filhos; e a bruxa, com gestos suplicantes, seguia perguntando as forças do mal o motivo da mulher não poder ter filhos, depois de tanta suplica maligna, em pouco tempo a condessa deu a luz a um monstro, que o simples fato de o ver a aterrorizava, era totalmente deformado, mas apesar de tão cruel e infame castigo, a condessa continuava convidando os jovens que a simpatizavam, para passar noites românticas com eles.

Tempos depois, em uma noite fria e úmida, o esposo da condessa chegava em sua casa, quando viu o criado, sua surpresa foi grande, pois nos braços segurava alguma coisa enrolada, era o filho da condessa, correu para reclamar-lhe quando a encontrou com um jovem nos seus aposentos, cheio de raiva, a mulher se viu atacada, seu rosto tornou-se áspero, pois tinha tomado a fisionomia da bruxa que visitava, seu aspecto era horripilante, sua cara estava cheia de grandes rugas, seus caninos ressaltavam horrorosos, o conde sentiu medo, sacou sua espada e repousou-a no coração da sua amada, e também no do jovem que a acompanhava. O criado imediatamente o contou tudo o que ela fazia, convidando o conde para jogar os corpos, onde ela jogava seus amantes, no poço dos lagartos. Uma horrível risada acompanhada de lamentos longos pode ser ouvida no triste e sombrio palácio, estendendo-se por todo o campo de Vera Cruz.

Diz a lenda que o conde enlouqueceu e era visto pelas ruas do povoado gritando fortemente, justiça, justiça e que morra a condessa de Malibrán, seus gritos, soavam segundo os moradores locais, como fortes gritos de animais selvagens em volta da presa.

Clipe de La Condesa:


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