sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fortaleza: Voz dos sussurros que inundam Villa Rica

Fonte: La Madrigueira del Apicultor
Título original: 

FORTALEZA: Voz de los rumores que inundan la Villa Rica


Traduzido por: Eu ora! Por isso ficou péssima a tradução...



O México entende as guerras. Entendem de conquistas, invasões, e das implicações que tolera enfrentar o panorama eminente. Se existe um lugar em todo o México que conhece a sensação de ver enaltecido suas origens e sua segurança, esse lugar é Veracruz: território por onde penetraram os conquistadores espanhóis a mais ou menos 500 anos, e que além disso foi o cenário de batalhas sangrentas contra tropas francesas e americanas. Impossível extirpar da memória de um povo as histórias de valentes guerreiros que apesar de tudo defenderam nobremente sua  região. Passaram-se séculos desde aquelas vitórias e ainda hoje são fontes de inspiração para criar e narrar histórias fantásticas, e é lógico que cada um escolhe contá-las a sua maneira: alguns preferem inclinar-se pelo lado puramente bélico dos acontecimentos e abominar dos intrusos o sonoro rugir do canhão. Outros se inclinam pelo romantismo subjacente da epopéia, por resgatar os triunfos da façanha heróica e divulgá-los com a certeza de quem conhece as bondades do multiculturalismo, ainda que sem passar por alto os derramamentos de sangue. Algumas pessoas tomar eventos passados e sublimá-los em Fortalezas.

Fortaleza é justamente o nome de uma banda veracruzana que desde 2003 se embarcaram na missão de dar voz aos sussurros que inundam Villa Rica. Seu veiculo: o metal melódico. É fácil deixar-se levar pela tentação de subir a Fortaleza ao navio do metal gótico, pois como muitas bandas do gênero, também contam com uma vocalista e incluem na sua música instrumentos clássicos. Mas basta aguçar o ouvido para notar imediatamente que Fortaleza navega por oceanos mais extensos: ondas de Power metal, marejadas de Heavy ou arrecifes de neoclassicismo se somam as influencias escuras, e juntos formam melodias que compartilham com o vaivém do mar que pode balançar com harmonia ou  agitar liberando sua força majestosa. Não é simples definir onde está a marca registrada da banda: talvez seja o violino dos matizes distintos, ou suas letras que lidam com os temas mencionados no primeiro parágrafo e se alimentam de lendas coloniais, batalhas épicas, romance, literatura e harmonia com a natureza, ou talvez a voz viva que relatou a aventura em seus três álbuns de estúdio até agora: doce, mas com força suficiente; de tendências de opera , apesar de moderada, poderosa, mas prudente. Ou talvez tentar um todo que é muito mais do que a soma de suas partes planas.



Primeiro veio “La fortaleza de la soledad” em 2008: um álbum breve, de só sete canções. Tratava-se de uma pequena mostra, mas havia temas interessantes de se analisar. Mesmo que ao ouvir pela primeira vez o disco mostra elementos já presentes em muitas outras bandas com tendências épicas (cavaleiros, espadas, armaduras), o detalhe que permite diferenciar das outras bandas deste estilo está na faixa 6: uma música intitulada “Cerca de la media noche” cujo a letra se baseia na lenda do Callejón de Libranos Señor. Também encontramos referencias literárias em “Fausto”, tema alusivo a obra homônima de Goethe. A voz de Helena, a vocalista, parece frágil quando deve parecer, mas ganha uma força desafiante em peças mais velozes como em “Caballero de honor”. Repito, trata-se de um disco de curta duração mas sem dúvida alguma é uma estréia interessante de escutar.



Apenas um ano depois o crescimento da banda já era notado. Os propósitos de Fortaleza eram sérios e seu trabalho mostrava qualidades para sustentar-se por seus próprios pés em uma cena onde tudo parece soar igual. “Uma Luz entre Las sombras” chegou as lojas em 2009 envolto em um cuidadoso formato slip-case (é o termo usado para a proteção do CD, DVD ou BOX feita de papelão, que você puxa o CD de dentro): a arte do disco foi criada por Helena e dava conta de um ótimo gosto estético. Mas a melhor parte é que este álbum também é um deleite musical: o caminho iniciado por sua obra anterior robustece aqui com um bom senso mais inspirado e incomum para uma banda tão jovem. A energia das guitarras estão ali, mas não temem dividir o espaço com os teclados e o violino, que acompanham todas as canções do disco. As letras mantém uma ligeira aura poético-românticas, desta vez ao adicionar conteúdos relacionados à natureza, também revelam o interesse do grupo pelas mais diversas manifestações culturais: inclui um cover para um tema do espetáculo “Quindam” do Cirque de Soleil (“Seisouso” do compositor canadense Benoit Jutras) e outro “Dime jaguar”, do singular Saúl Hernadez (o qual não deve ser uma mera questão de gostos musicais, porque lembro que o jaguar era um dos principais animais sagrados da cultura Olmeca junto com os Totonacas e Huastecos se instalaram na região onde hoje está Veracruz). Claro, a lenda continua, desta vez representada em “La Mulata” (com piano e violino em harmonia) e “La leyenda Del Tajin”, este último inspirado em um mito Totonaca.



E como parece que esta banda não se cansa de trabalhar, em 2010 novamente estavam presentes com sua obra mais ambiciosa até agora: o sensacional “El ojo de la tormenta”. É que o disco em questão soa exatamente isso: uma concentração de forças reunidas em um só lugar, que vão mudando para latitudes diferentes, arrastando a tempestade que se vai ouvir. Um só violino não era suficiente, desta vez, de modo a representar a tempestade o grupo é acompanhado neste trabalho por uma seção de cordas, além de duas sopranos e um tenor. Aqui estão um dos temas mais agressivos de Fortaleza (“El eco Del miedo”, por exemplo), mas também encontrar experiências como a reinvenção que fazem ao som de “La Bruja”, e a fascinante canção que construíram baseado numa peça e que leva o título “La Condesa”, uma jóia de mais de seis minutos que constitui uma autentica apropriação do metal integrado com as raízes musicais jarochas. É verdade que outras bandas de metal no México e na América Latina já experimentaram sons “indígenas”, mas na maioria das vezes são instrumentos de percussão e instrumentos de sopro acompanhados de sons mais extremos: e o que Fortaleza faz é tomar um requinto e uma farra, e a partir dos padrões tradicionais do som jarocho, elaborar uma canção de metal, que não menos importante, incluiu em sua letra trechos de Jaime Sabines e Pablo Neruda. Sem medo de me equivocar diria que “La Condesa” é o mais perto que esteve o metal mexicano (pelo menos na sua vertente mais melódica) para ter uma verdadeira identidade (Anabantha tentou fazê-lo em seu recente “Hermanos de Sangre: El ritual”, mas sem atingir os níveis de refinamento alcançados por Fortaleza). E para coroar o número, um belo vídeo clipe com uma coreografia esquisita> Mas não pense o leitor que este é o único momento interessante de “El ojo de la tormenta”, pois como já foi dito, trata-se de seu álbum mais ambicioso: Helena brilha como nunca, com maiores nuances em sua voz que acompanham a perfeição a idéia de estar de estar dentro de uma tempestade que varia sua magnitude até amansar pacificamente na última canção do CD: uma luminosa balada “Un nuevo camino”.

E como se fosse uma profecia descendente da mitologia olmeca, as últimas linhas da última música do terceiro álbum marcam o fim de uma era em Fortaleza. No tema mencionado Helena setencia: "y con esta canción hoy me estoy despidiendo" (e com está canção, hoje me despeço), e coincidentemente assim foi. Em julho deste ano o anuncio oficial foi feito: a jovem cantora não faz mais parte de Fortaleza. Evidentemente as reações não foram agradáveis como era de se esperar, e se intensificaram depois de um segundo comunicado em que a banda apresentava sua nova vocalista, Ariana. É claro que não faltou quem tentasse fazer disso uma versão mexicana do caso Nightwish Tarja-Anette, e embora este humilde escritor acredite que é completamente fora do lugar, que é um fato que muitos perderam Helena. No entanto, julgar sem conhecimento não é um dos meus hábitos pessoais, então pro enquanto eu acho que a paciência é uma virtude que os fãs da banda devem ter. Da minha parte, estou ansioso em escutar a nova vocalista e ver qual será o próximo passo que dará Fortaleza, pois se tem uma coisa que eles mostraram ao longo da sua história é que são uma banda em constante evolução. O tempo saciará nossa curiosidade. Helena nos deixou um belo testemunho que ficou registrado em três discos maravilhosos, e Ariana está por escrever suas próprias páginas no próximo capitulo da banda. És bem vinda.

Nos resta esperar...

Confira o texto original aqui.


Curiosidade: O que é a lenda do "Callejón de Libranos Señor"? Confira neste link.





3 comentários:

  1. No quedó pésima, no.

    Sí, buenos días, ¿en dónde contrato al traductor?
    jajaja

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  2. Well, this is kinda weird... I never imagined seeing my work translated to portuguese language. Nice surprise, anyway. Thanx for visiting "La Madriguera" and supporting mexican gothic metal. Check Nostra Morte and Tetriconia too. Greetings from the den:

    www.lamadrigueradelapicultor.blogspot.com

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  3. Lucia: Pra que contratar tradutor se temos o Google Translator...jajaja. Falando sério, eu procurei traduzir usando o dicionário mesmo, por isso a tradução não ficou legal. Ainda não tive tempo de corrigir os erros, mas vou corrigir.

    Néstor: No conozco Tetriconia, pero buscarei en la web. Gracias

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