sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O Último Beijo

Colaboração especial de Letícia Coimbra




Um jovem casal sai de carro para um encontro. Os dois têm idade aproximada aos 18 anos. Ele tirou a habilitação recentemente. Esta é somente a terceira vez que ele pega o carro do pai para ir ao cinema na cidade vizinha com a namorada.

Estavam a três dias do primeiro Natal como namorados. Após o filme, os dois param em uma lanchonete para fazer um lanche antes de voltarem para a casa. Durante o lanche fazem planos para o ano novo e para o próximo período da faculdade. Ele tem uma banda e é atleta universitário representando a faculdade nas competições de judô. Ela cursa a faculdade de letras.

*Ele acreditava na eternidade do que sentiam. Ela no que ainda poderiam sentir. Porém nada dura para sempre. A não ser a história de tudo que aconteceu...

Ainda posso sentir o frio, mas agora a dor lancinante vem de dentro para fora, consumindo tudo. O espaço onde antes guardava você, a combustão desta dor está queimando para que não reste nenhum rastro teu. Sinto algo quente escorrer pelo meu rosto e involuntariamente me lembro que mais cedo suas mãos me tocaram deixando um calor semelhante. Onde minha querida pode estar? Ela foi para os céus. Foi levada de mim.

As gotas desta chuva que Começa a cair não podem lavar da memória o que aconteceu. Os flashes me atropelam, destruindo tudo o que um dia eu já fui e agora, sem você, não posso mais. Onde minha querida pode estar? Ela foi para os céus. Foi tirada de mim. Não fazia muito tempo que eu estava dirigindo, não havíamos ido muito longe. Olhei para você que sorria de volta para mim. Um carro parado na estrada. Seus olhos presos aos meus. Desviei para a direita, mas algo deu errado. Não. Me recuso a ouvir esse som! O grito dos pneus, a explosão de cacos de vidro. Seus olhos já não estavam mais presos aos meus. Esta não é a nossa música. É sua voz, um ruído ensandecido impregnado de agonia. Onde minha querida pode estar? Ela foi para os céus. Foi tirada de mim.



Não me dou conta do que realmente houve. A chuva não cessa e pessoas começam a preencher o vazio que meus olhos veem com dificuldade. Uma lembrança dela. De alguma forma consegui encontrá-la. Sua vulnerabilidade me fez desmoronar. Ergui sua cabeça ainda tão frágil e delicada e seus cabelos sujos de sangue tocaram minha mão. "Abrace-me, querido, só mais um pouco" , ela disse olhando para mim. Envolvi-a em meus braços que carregavam além do meu sofrimento, tudo de melhor que ela despertou em mim. Então toquei sua boca com a minha. Nosso Último Beijo. Naquele momento, encontrei o amor que sabia que havia perdido. E por mais que meu abraço tentasse faze-la ficar, eu sentia que ela já havia ido. Meu amor, minha vida tudo se foi junto com ela naquela noite. Onde minha querida pode estar? Ela foi para os céus. Foi levada de mim. Agora preciso ser bom para vê-la novamente quando eu deixar este mundo.*




História baseada na música Last Kiss de Wayne Cochran, gravada pela primeira vez em 1962 com sua banda The C. C. Riders, sendo mais conhecida na nossa geração através da versão gravada pela banda americana de Seattle, Pearl Jam, em um single de 1999, posteriormente no lado B do álbum Lost Dogs, em 2002.

Wayne Cochran escreveu a música inspirado num acidente ocorrido no dia 22 de dezembro de 1962, em Barnesville, no estado da Georgia, com o jovem casal de 16 anos, Jeanette Clark e J. L. Hancock que dirigia o carro que se acidentou com um caminhão que carregava madeira numa estrada rural de Barnesville. O casal saiu para um encontro acompanhado de três amigos. O casal e um dos amigos morreram instantaneamente. Um frentista local foi ajudar a prestar socorro no acidente e não reconheceu a própria filha. O baterista da banda de Wayne Cochran estava em um encontro com a irmã de Jeanette Clark no momento do acidente.

Wayne viveu na Rota 1941, na Georgia, que ficava a 15 km do acidente. Lá ele viu vários acidentes do tipo e por isso estava escrevendo uma música sobre o assunto. Quando soube do acidente em Barnesville ele se inspirou nos sentimentos de comoção da comunidade local do acidente para terminar a canção, dedicando-a à Janette Clark.

Wayne nomeou a canção como "Last Kiss" por este ser o ponto alto e dramático da música, além de existir uma canção de Floyd Cramer chamada Last Date.

A versão da banda de Cochran foi um sucesso local na Gerogia, o que levou a gravadora Texas para gravá-la com J. Frank Wilson lançando-o nacionalmente.

Versão da banda Pearl Jam


Versão de Wayne Cochran


Versão de J. Frank Wilson


Tradução**
Oh onde, oh onde, minha querida pode estar?
O Senhor levou-a de mim.
Ela foi para os céus, então eu tenho de ser bom,
Assim posso ver meu amor quando eu deixar este mundo.

Nós saímos em um encontro no carro do meu pai
Não tínhamos dirigido para muito longe.
Lá na estrada, seguindo em frente,
Um carro estava parado, o motor morreu.
Eu não podia parar, então desviei para a direita.
Eu nunca vou esquecer, o som daquela noite:
O "grito" dos pneus, o vidro estourado,
O grito de dor que ouvi por último.

Oh onde, oh onde, minha querida pode estar?
O Senhor levou-a de mim.
Ela foi para os céus, então eu tenho de ser bom,
Assim posso ver meu amor quando eu deixar este mundo.

Quando acordei a chuva estava caindo
Havia pessoas paradas por todo lado
Alguma coisa quente correndo nos meus olhos
Mas de alguma maneira encontrei meu amor aquela noite
Ergui sua cabeça, ela olhou para mim e disse
"Abrace-me querido, só mais um pouco"
Dei-lha um abraço apertado, beijei-a, nosso último beijo
Encontrei o amor que sabia que tinha perdido
Bem, agora ela se foi, mesmo eu tendo a abraçado forte
Perdi meu amor, minha vida, naquela noite

Oh onde, oh onde, minha querida pode estar?
O Senhor levou-a de mim.
Ela foi para os céus, então eu tenho de ser bom,
Assim posso ver meu amor quando eu deixar este mundo.

*Trecho escrito por Letícia Coimbra*
** Tradução minha, por isso está diferente da legenda da música
Fontes:

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